terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Uns eram comunistas
"Uns eram comunistas"
Giorgio Gaber e Sandro Luporini
[Traduzido do italiano por Yuri Martins Fontes]
Uns eram comunistas porque nasceram na engajada Emília Romana.
Uns eram comunistam porque o avô, o tio, o papai... a mamãe não.
Uns eram comunistam porque viam a Rússia como uma promessa,
a China como uma poesia e o comunismo como o paraíso terrestre.
Uns eram comunistas porque se sentiam sós.
Uns eram comunistas porque haviam tido uma educação demasiado
católica.
Uns eram comunistas porque o cinema o exigia, o teatro o exigia, a
pintura o exigia, a literatura também. Todos o exigiam.
Uns eram comunistas porque “A História está do nosso lado!”
Uns eram comunistas porque lhes tinham dito.
Uns eram comunistas porque não lhes tinham dito tudo.
Uns eram comunistas porque antes eram fascistas.
Uns eram comunistas porque tinham percebido que a Rússia andava
devagar, mas longe.
Uns eram comunistas porque camarada Berlinguer era uma boa
pessoa.
Uns eram comunistas porque o democrata-cristão Andreotti não
era uma boa pessoa.
Uns eram comunistas porque eram ricos mas amavam o povo.
Uns eram comunistas porque bebiam o vinho e se comoviam nas
festas populares.
Uns eram comunistas porque eram tão ateus que precisavam de
outro Deus.
Uns eram comunistas porque eram tão fascinados pelos operários
que queriam ser um deles.
Uns eram comunistas porque não podiam ser mais do que
operários.
Uns eram comunistas porque queriam aumento de salário.
Uns eras comunistas porque a burguesia-o proletariado-a luta de
classes. Fácil não?
Uns eram comunistas porque a revolução hoje não, amanhã talvez,
mas depois de amanhã com certeza.
Uns eram comunistas porque “Viva Marx, viva Lenin, viva Mao
Tsé-Tung”.
Uns eram comunistas para irritar ao pai.
Uns eram comunistas porque só assistiam a TV-RAI 3.
Uns eram comunistas por moda, uns por princípio, uns por
frustração.
Uns eram comunistas porque queriam nacionalizar tudo.
Uns eram comunistas porque não conheciam os burocratas estatais,
para-estatais e afins.
Uns eram comunistas porque tinham trocado o “materialismo
dialético” pelo “Evangelho segundo Lenin”.
Uns eram comunistas porque estavam convictos de ter atrás de si a
classe operária.
Uns eram comunistas porque eram mais comunistas que os outros.
Uns eram comunistas porque havia o grande Partido Comunista.
Uns eram comunistas apesar de haver o grande Partido Comunista.
Uns eram comunistas porque não existia nada de melhor.
Uns eram comunistas porque temos o pior Partido Socialista da
Europa.
Uns eram comunistas porque um Estado pior que o nosso, só
Uganda.
Uns eram comunistas porque não aguentavam mais quarenta anos
de governos viscosos e mafiosos.
Uns eram comunistas por causa dos atentados fascistas da Praça
Fontana, Brescia, a estação de Bologna, o Italicus, Ustica etcétera
etcétera etcétera.
Uns eram comunistas porque quem era contra, era comunista.
*********************************************************
Uns eram comunistas porque não suportavam mais aquela coisa suja
a que nos obstinamos a chamar democracia.
Uns acreditavam ser comunistas e talvez fossem outra coisa
qualquer.
Uns eram comunistas porque sonhavam com uma liberdade diversa
daquela estadunidense.
Uns eram comunistas porque acreditavam que só poderiam estar
vivos e serem felizes se os outros também o fossem.
Uns eram comunistas porque precisavam de um empurrão para
algo de novo.
Porque estavam dispostos a modificar-se a cada dia.
Porque sentiam a necessidade de uma moral diferente.
Porque talvez fosse só uma força, um vôo, um sonho, fosse só um
salto, fosse só um desejo de mudar as coisas, de mudar a vida.
Uns eram comunistas porque estando ao lado deste salto, cada qual
era como mais de si mesmo: era como duas pessoas numa. De uma
parte o cansaço pessoal cotidiano e de outra o sentimento de
pertencer a uma raça que queria levantar vôo, para mudar
verdadeiramente a vida.
Não, nada a arrepender-se. Talvez por isso então muitos tenham
aberto as asas sem serem capazes de voar, como gaivotas
hipotéticas.
E agora? Também agora se sentem como dois, de um lado o
homem inserido, que atravessa obsequiosamente a miséria da
própria sobrevivência cotidiana e do outro a gaivota, sem mais
sequer a intenção do vôo, porque afinal de contas o sonho se
entorpeceu.
Duas misérias em um só corpo.
Se os comunistas têm razão, então eu sou o louco mais solitário em vida. Se eles estão errados, então não há esperança para o mundo
Giorgio Gaber e Sandro Luporini
[Traduzido do italiano por Yuri Martins Fontes]
Uns eram comunistas porque nasceram na engajada Emília Romana.
Uns eram comunistam porque o avô, o tio, o papai... a mamãe não.
Uns eram comunistam porque viam a Rússia como uma promessa,
a China como uma poesia e o comunismo como o paraíso terrestre.
Uns eram comunistas porque se sentiam sós.
Uns eram comunistas porque haviam tido uma educação demasiado
católica.
Uns eram comunistas porque o cinema o exigia, o teatro o exigia, a
pintura o exigia, a literatura também. Todos o exigiam.
Uns eram comunistas porque “A História está do nosso lado!”
Uns eram comunistas porque lhes tinham dito.
Uns eram comunistas porque não lhes tinham dito tudo.
Uns eram comunistas porque antes eram fascistas.
Uns eram comunistas porque tinham percebido que a Rússia andava
devagar, mas longe.
Uns eram comunistas porque camarada Berlinguer era uma boa
pessoa.
Uns eram comunistas porque o democrata-cristão Andreotti não
era uma boa pessoa.
Uns eram comunistas porque eram ricos mas amavam o povo.
Uns eram comunistas porque bebiam o vinho e se comoviam nas
festas populares.
Uns eram comunistas porque eram tão ateus que precisavam de
outro Deus.
Uns eram comunistas porque eram tão fascinados pelos operários
que queriam ser um deles.
Uns eram comunistas porque não podiam ser mais do que
operários.
Uns eram comunistas porque queriam aumento de salário.
Uns eras comunistas porque a burguesia-o proletariado-a luta de
classes. Fácil não?
Uns eram comunistas porque a revolução hoje não, amanhã talvez,
mas depois de amanhã com certeza.
Uns eram comunistas porque “Viva Marx, viva Lenin, viva Mao
Tsé-Tung”.
Uns eram comunistas para irritar ao pai.
Uns eram comunistas porque só assistiam a TV-RAI 3.
Uns eram comunistas por moda, uns por princípio, uns por
frustração.
Uns eram comunistas porque queriam nacionalizar tudo.
Uns eram comunistas porque não conheciam os burocratas estatais,
para-estatais e afins.
Uns eram comunistas porque tinham trocado o “materialismo
dialético” pelo “Evangelho segundo Lenin”.
Uns eram comunistas porque estavam convictos de ter atrás de si a
classe operária.
Uns eram comunistas porque eram mais comunistas que os outros.
Uns eram comunistas porque havia o grande Partido Comunista.
Uns eram comunistas apesar de haver o grande Partido Comunista.
Uns eram comunistas porque não existia nada de melhor.
Uns eram comunistas porque temos o pior Partido Socialista da
Europa.
Uns eram comunistas porque um Estado pior que o nosso, só
Uganda.
Uns eram comunistas porque não aguentavam mais quarenta anos
de governos viscosos e mafiosos.
Uns eram comunistas por causa dos atentados fascistas da Praça
Fontana, Brescia, a estação de Bologna, o Italicus, Ustica etcétera
etcétera etcétera.
Uns eram comunistas porque quem era contra, era comunista.
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Uns eram comunistas porque não suportavam mais aquela coisa suja
a que nos obstinamos a chamar democracia.
Uns acreditavam ser comunistas e talvez fossem outra coisa
qualquer.
Uns eram comunistas porque sonhavam com uma liberdade diversa
daquela estadunidense.
Uns eram comunistas porque acreditavam que só poderiam estar
vivos e serem felizes se os outros também o fossem.
Uns eram comunistas porque precisavam de um empurrão para
algo de novo.
Porque estavam dispostos a modificar-se a cada dia.
Porque sentiam a necessidade de uma moral diferente.
Porque talvez fosse só uma força, um vôo, um sonho, fosse só um
salto, fosse só um desejo de mudar as coisas, de mudar a vida.
Uns eram comunistas porque estando ao lado deste salto, cada qual
era como mais de si mesmo: era como duas pessoas numa. De uma
parte o cansaço pessoal cotidiano e de outra o sentimento de
pertencer a uma raça que queria levantar vôo, para mudar
verdadeiramente a vida.
Não, nada a arrepender-se. Talvez por isso então muitos tenham
aberto as asas sem serem capazes de voar, como gaivotas
hipotéticas.
E agora? Também agora se sentem como dois, de um lado o
homem inserido, que atravessa obsequiosamente a miséria da
própria sobrevivência cotidiana e do outro a gaivota, sem mais
sequer a intenção do vôo, porque afinal de contas o sonho se
entorpeceu.
Duas misérias em um só corpo.
Se os comunistas têm razão, então eu sou o louco mais solitário em vida. Se eles estão errados, então não há esperança para o mundo
domingo, 5 de dezembro de 2010
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Manifesto Sarau Portátil da Cesta (SPC) dos parceiros de IML (Incendiários Maicknuclear e Laureatti)
Manifesto Sarau Portátil da Cesta
realizado pelo I M L ( Incendiários Maicknuclear e
Laureatti).
O mundo está mudando rápido e o Sarau da Cesta junto com o Sarau Portátil mudam lentamente na mesma velocidade da luz: Sarau Portátil + Sarau da Cesta = Sarau Portátil da Cesta, realizado pelo I M L ( Incendiários Maicknuclear e Laureatti ).
Através de surpreendentexcitantes misturas de poemas deveras inteligentes e exaustivamente trabalhados com música urbana de elementos teatrais-cinematográficos, o Sarau Portátil da Cesta declara morte às adiposidades cerebrais. Morte ao marasmo das academias literárias e às chatices dos saraus hipócritas-demagógicos que exigem palmas para não nos deixarem bocejar. Morte aos velhos e pomposos recitais que nos matam de sono quando nos obrigam a ficarmos acordados e até o final por educação. I M L neles ! ! !
Chega desses merdas de poetas comedidos bem comportados digestivos que agradam sem transformar.
Não distribuiremos sanduíches de presuntos nem adocicaremos tua vida com açucarados últimos suspiros. Dizia a filosofia que viver é aprender a morrer. Não tenha medo de morrer. É melhor ter medo de morrer sem ter vivido.
Faça algo agora ou cálice. Nada melhor que a noite pra fazer seu champanhe suar a taça.
Queremos suor, poesia e gozar antes, durantes e depois. E depois do começo o que vier vai começar a ser o fim. Agora somos uma legião ! ! ! Numa sociedade de massas às vezes o que você precisa é só mais um . . . mais um . . . mais um . . . se for enxame, examine. Se for manada, dinamite ! ! !
Queremos a poesia dos loucos, dos clowns de Shakespeare, brechtinianos, dos frascos e comprimidos, Boal e outros mundos possíveis ! ! !
Não queremos saber de poemas que não é libertação.
Poesia no interior do Piauí é luxo. O Piauí não é aqui. O Piauí é aqui.
Poesia no interior do Acre é milagre. O Acre não é aqui. O Acre é aqui.
São Paulo é grande porém não é o Brasil ! ! !
Nessa cidade poesia social é necessidade.
Nos chame de malucos mas não nos convide para uma revolução que não possamos dançar e cantar pela chuva. SOLidariedade: não somos mais piedosos, nem menos. Somos loucos. Loucos e mais um pouco.
Só muda se você mudar seu jeito. Só muda se você muda, sujeito!
Independência tem seu preço: Poesia ou morte ! ! !
Aplaudam se quiserem. Mas se for o caso, para serem sinceros, aplaudam verdadeiramente até nas mãos fazerem calos. Aplausos. Aplausos. Aplausos. E se de pé não for suficiente, aplaudam de joelhos. Aplausos. Aplausos. Aplausos.
Deixando velhos e pomposos recitais ou hipócritas-demagógicos saraus à vala comum de suas mediocridades e outras bobagens que levam ninguém a lugar nenhum, ao afastar-se dessas amarras, o Sarau Portátil da Cesta(S.P.C) é uma progressiva elevação artística, feita com equipamentos rústicos e pós-modernos para a sublimação mais-que-criativa, mais-que-revolucionária,
Coragem ! Pule !
É agora que descobrimos só agora que a vida é agora !
Poesia ou morte ! Independência tem seu preço ! S.P.C neles !
(Fim do Manifesto. Começo do fim do mundo. )
sábado, 25 de setembro de 2010
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Fusão de saraus e efusão lírica na urbe torpe
Manifesto Sarau Portátil da Cesta realizado pelo I M L ( Incendiários Maicknuclear e Laureatti).
O mundo está mudando rápido e o Sarau da Cesta junto com o Sarau Portátil mudam lentamente na mesma velocidade da luz: Sarau Portátil + Sarau da Cesta = Sarau Portátil da Cesta, realizado pelo I M L ( Incendiários Maicknuclear e Laureatti ).
Através de surpreendentexcitantes misturas de poemas deveras inteligentes e exaustivamente trabalhados com música urbana de elementos teatrais-cinematográficos, o Sarau Portátil da Cesta declara morte às adiposidades cerebrais. Morte ao marasmo das academias literárias e às chatices dos saraus hipócritas-demagógicos que exigem palmas para não nos deixarem bocejar. Morte aos velhos e pomposos recitais que nos matam de sono quando nos obrigam a ficarmos acordados e até o final por educação. I M L neles ! ! !
Chega desses merdas de poetas comedidos bem comportados digestivos que agradam sem transformar.
Faça algo agora ou cálice. Nada melhor que a noite pra fazer seu champanhe suar a taça.
Queremos suor, poesia e gozar antes, durantes e depois. E depois do começo o que vier vai começar a ser o fim. Agora somos uma legião ! ! ! Numa sociedade de massas às vezes o que você precisa é só mais um . . . mais um . . . mais um . . . se for enxame, examine. Se for manada, dinamite ! ! !
Queremos a poesia dos loucos, dos clowns de Shakespeare, brechtinianos, dos frascos e comprimidos, Boal e outros mundos possíveis ! ! !
Não queremos saber de poemas que não é libertação.
Poesia no interior do Piauí é luxo. O Piauí não é aqui. O Piauí é aqui.
Poesia no interior do Acre é milagre. O Acre não é aqui. O Acre é aqui.
São Paulo é grande porém não é o Brasil ! ! !
Nessa cidade poesia social é necessidade.
Nos chame de malucos mas não nos convide para uma revolução que não possamos dançar e cantar pela chuva. SOLidariedade: não somos mais piedosos, nem menos. Somos loucos. Loucos e mais um pouco.
Poesia ou morte: independência tem seu preço ! ! !
Aplaudam se quiserem. Mas se for o caso, para serem sinceros, aplaudam verdadeiramente até nas mãos fazerem calos. Aplausos. Aplausos. Aplausos. E se de pé não for suficiente, aplaudam de joelhos. Aplausos. Aplausos. Aplausos.
O Sarau Portátil da Cesta é uma progressiva elevação artística, feita com equipamentos rústicos e pós-modernos para a sublimação mais-que-criativa, mais-que-revolucionária, deixando velhos e pomposos recitais ou hipócritas-demagógicos saraus à vala comum de suas mediocridades e outras bobagens que levam ninguém a lugar nenhum.
Coragem ! Pule !
É agora que descobrimos só agora que a vida é agora !
Poesia ou morte !
Independência tem seu preço!
O mundo está mudando rápido e o Sarau da Cesta junto com o Sarau Portátil mudam lentamente na mesma velocidade da luz: Sarau Portátil + Sarau da Cesta = Sarau Portátil da Cesta, realizado pelo I M L ( Incendiários Maicknuclear e Laureatti ).
Através de surpreendentexcitantes misturas de poemas deveras inteligentes e exaustivamente trabalhados com música urbana de elementos teatrais-cinematográficos, o Sarau Portátil da Cesta declara morte às adiposidades cerebrais. Morte ao marasmo das academias literárias e às chatices dos saraus hipócritas-demagógicos que exigem palmas para não nos deixarem bocejar. Morte aos velhos e pomposos recitais que nos matam de sono quando nos obrigam a ficarmos acordados e até o final por educação. I M L neles ! ! !
Chega desses merdas de poetas comedidos bem comportados digestivos que agradam sem transformar.
Faça algo agora ou cálice. Nada melhor que a noite pra fazer seu champanhe suar a taça.
Queremos suor, poesia e gozar antes, durantes e depois. E depois do começo o que vier vai começar a ser o fim. Agora somos uma legião ! ! ! Numa sociedade de massas às vezes o que você precisa é só mais um . . . mais um . . . mais um . . . se for enxame, examine. Se for manada, dinamite ! ! !
Queremos a poesia dos loucos, dos clowns de Shakespeare, brechtinianos, dos frascos e comprimidos, Boal e outros mundos possíveis ! ! !
Não queremos saber de poemas que não é libertação.
Poesia no interior do Piauí é luxo. O Piauí não é aqui. O Piauí é aqui.
Poesia no interior do Acre é milagre. O Acre não é aqui. O Acre é aqui.
São Paulo é grande porém não é o Brasil ! ! !
Nessa cidade poesia social é necessidade.
Nos chame de malucos mas não nos convide para uma revolução que não possamos dançar e cantar pela chuva. SOLidariedade: não somos mais piedosos, nem menos. Somos loucos. Loucos e mais um pouco.
Poesia ou morte: independência tem seu preço ! ! !
Aplaudam se quiserem. Mas se for o caso, para serem sinceros, aplaudam verdadeiramente até nas mãos fazerem calos. Aplausos. Aplausos. Aplausos. E se de pé não for suficiente, aplaudam de joelhos. Aplausos. Aplausos. Aplausos.
O Sarau Portátil da Cesta é uma progressiva elevação artística, feita com equipamentos rústicos e pós-modernos para a sublimação mais-que-criativa, mais-que-revolucionária, deixando velhos e pomposos recitais ou hipócritas-demagógicos saraus à vala comum de suas mediocridades e outras bobagens que levam ninguém a lugar nenhum.
Coragem ! Pule !
É agora que descobrimos só agora que a vida é agora !
Poesia ou morte !
Independência tem seu preço!
domingo, 29 de agosto de 2010
Sarau da Cesta em Agosto publica "Entrevista com o Coletivo Poesia Maloqueirista" - Pra tudo e pra todos tem jeito e tem gente. A gosto pra tudo ! ! !

1-Quando surgiu a ideia de fundar o Coletivo Poesia Maloqueirista?
Caco Pontes - Em meados de 2002, quando Berimba e Renato Limão estavam no rolê difundindo seus libretos na rua, surgiu a ideia de criar um nome que pudesse definir aquela movimentação, algo como uma grife, marca - que rola, por exemplo, no universo da pichação - e, quando certa vez, provocado por uma colega de trabalho, onde Berimba cumpria a função de Office-Boy, sobre que tipo de poesia fariam, sendo que já havia existido modernista, dadaísta, concretista, ela mesma emendou: maloqueirista? Ironicamente, Berimba gostou da sugestão sarcástica, propôs ao Renato o tal nome e a partir daí foi apropriado o conceito que passou a reproduzir naturalmente efeito iconoclasta, considerando mesmo o nascimento do nome de batismo, algo insinuado. Logo em seguida me aliei a eles, cruzava os caras na porta do Centro Cultural SP, quando também já começava a dar meus primeiros passos rabiscando uns versos e botando pra circular o primeiro libreto, a partir de 2003, sendo que minha primeira investida foi vendendo libretos do Renato, em temporada de início de ano nas ruas de Paraty, pois estava falido e precisando de grana pra retornar à capital. Em 2004 conhecemos o Pedro Tostes, também pelas ruas de Paraty, na ocasião da 2a.FLIP, quando nos juntamos em intervenções urbanas performáticas, ironizando a programação oficial, auto-intitulando-nos o Off do Off da FLIP, ou ainda Off-Ofó da FLIP. Daí nascia o que viria a ser o "Coletivo Poesia Maloqueirista".
2-A quanto tempo vocês escrevem? O que a poesia significa nas suas vidas?
Caco Pontes - Tenho até hoje um primeiro caderno de reportagens sensacionalistas, que eu fazia quando devia ter cerca de 9, 10 anos e quando revisito este, fico impressionado com tamanha sacanagem e deboche que desenvolvia naquela espécie de diário, onde usava recortes de revistas, jornais e criava minhas próprias matérias, furos de reportagem, rs. Cheguei a fazer uma, quando na época a Dercy Gonçalves desfilou para uma escola de samba, com seios a mostra, nem lembro ao certo o ano, mas certamente na transição entre 80/90, um fato que polemizou e marcou aquele período... Mas poesia mesmo, com a pretensão de escrever em verso, buscando aliar sentimento a forma, foi a partir dos 17, 18 anos, nos primeiros delírios psicodélicos, em viagens de ônibus, voltando do centro para o subúrbio do lado leste de São Paulo.
E sobre o que ela significa em minha vida, meio complexo de responder, mas tem um poema inédito meu que diz o seguinte: poesia é o aluguel da vida / e quando estiver cansado / da especulação imobiliária / basta se tornar proprietário / de uma obra / literária.
3-Vocês tiveram apoios para a fundação do Coletivo? Como ocorreu? Quais parcerias aconteceram até hoje?
Berimba de Jesus – O apoio foi de nós para nós mesmos, durante um bom tempo, a gente incomodava (e também agradava), entrando em bar, restaurante, fazendo intervenção de poesia, sem medir consequências, no impulso juvenil mesmo, na praça pública, nos saraus, até que começamos a organizar evento (C.A.I-MAL - Centro de Ação In-formal), produzir a revista alternativa Não Funciona , tudo na raça, se endividando na copiadora do Nélio, pra pagar depois do evento, onde cobrávamos uns 3 reais de entrada, com direito a um exemplar da publicação, sendo que muita gente largava o material na "balada" e a gente reciclava pegando de volta; foram vários sufocos, roubadas, até que começamos a freqüentar algumas atividades do circuito literário, tornando-nos benquistos por alguns e pedra no sapato pra tantos outros, coisa que acontece até hoje.
Pedro Tostes – Tivemos de fato uma época bem barra pesada, fazendo fiado no xerox, bancando todos os riscos e voltando pra casa com o bolso furado. Mas com o tempo e um pouco mais de organização fomos conseguindo tocar projetos mais sólidos como a Revista Não Funciona. Alguns apoios nesse caminho rolaram, como com o Programa VAI, que ajudou por um bom tempo com a revista. Mas o grande apoio e os grandes parceiros que temos são os diversos movimentos que estão correndo junto nesse cenário.
Caco Pontes - Passada quase uma década, pra alguns de nós veio filho, casamento, separação, cobranças do mundo material de assumir postura mais séria em relação ao trabalho, para manter a sobrevivência, e fomos transformando o mero desbunde em realizações determinantes, então começou a pintar um cachê aqui, outro acolá, não deu pra fazer aquisições ou mudanças muito significativas, mas tem melhorado e é natural que isto aconteça, trabalhando com tanto empenho no decorrer de todos estes anos; na verdade a situação poderia estar até um pouco melhor, se talvez tivéssemos um registro de CNPJ, mais organização, mas agora com uma produtora correndo junto, a Vani, com sua experiência, sem deixar de ter a nossa identidade e atitude, a coisa tem fluído com maior disciplina no intuito de difundir de forma ampla o nosso trabalho.
4-Poderiam relatar a reação/relação da comunidade do bairro quando começaram os saraus?
Caco Pontes - Interessante pensar por este ângulo, pois o nosso agrupamento nasceu de um jeito bem difuso/peculiar nesta questão "territorial": eu vinha da Cidade Tiradentes, o Berimba de Taboão da Serra (aonde vive até hoje), Pedro, recém-chegado do RJ, morava no Jd. Bonfiglioli (mudou-se recentemente para o Centro), Renato Limão se dividia entre eventuais hospedagens na casa dos avós, em São Mateus, e em hóteis baratos, da região central, daí no final das contas a gente acabava interagindo no fluxo da boemia, do nosso jeito mambembe, performando e rodando chapéu, geralmente na Vila Madalena-Centro, que foram locais aonde encontramos condições de estabelecer nosso trabalho, além de ponto de encontro com várias figuras bacanas e os rolês pelas quebradas sempre foi algo espontâneo, prazeroso, como frequentar o Sarau do Binho ou a Cooperifa, sem precisarmos bater no peito dizendo que somos deste ou daquele lugar, pois apesar de respeitar que as raízes possam se firmar assim, não creio que seja o caminho único e da verdade absoluta, afinal nossa identidade nasceu a partir das ruas, fosse em SP, Rio de Janeiro ou Belo Horizonte. Nos últimos tempos estamos com base firmada no Morro do Querosene (que é o bairro que eu habito há 4 anos), de maneira que fomos construindo relações firmes de parceria com iniciativas da comunidade local, como o extinto (ou em recesso) Sarau do Querô, capitaneado pelo poeta Paulo Almeida, que foi quem nos apresentou ao Dinho Nascimento e família (Gabriel, Cecília, Tainá), com os quais desenvolvemos coisas bem legais até hoje, além da Ana Flor, filha do Tião Carvalho, organizador da Festa do Boi e Grupo Cupuaçu, entre outros. E o mais interessante disto tudo, é termos nossa identidade construída no cruzamento entre a cultura urbana e popular, coisa que a rua - nossa maior escola - mostra e permite naturalmente.
Pedro Tostes – Essa pergunta não faz muito sentido para um grupo como o nosso. Nosso coletivo não nasceu por uma precisão geográfica. O ponto de encontro e de realização do grupo sempre foi a rua. Organizar um sarau foi uma consequencia de um momento em que o grupo sentiu que precisava criar essas raizes, e a opção pelo centro foi justamente ligado a nossa história, ao fato de que era aqui no centro que vendiamos poesia nas ruas, nos bares, nas portas de espaços culturais e cinemas, sempre aquela velha ladainha ´lá eu a perguntar sempre – você gosta de poesia?’.
5-Nestes anos, vocês perceberam uma mudança na relação das pessoas da área do Centro Cultural (centros urbanos, universidades) com a literatura e a poesia?
Caco Pontes - Ah, sem dúvida devo reconhecer e admitir que ajudamos a construir um cenário que hoje fervilha, na prática e popularização da poesia e literatura, quebrando certas barreiras sociais, falando a língua do povo, possibilitando este acesso, com tremendo respeito e admiração pela caminhada de figuras como Binho, Sérgio Vaz, Marco Pezão, Ana Rüsche, Rui Mascarenhas, cada qual a sua maneira, estilo, bem como nós, mais novos na trajetória do que estes que citei e, talvez um pouco mais experientes em relação a outros que chegaram na sequência, mas que sem dúvida nos relacionamos no mesmo nível, com afinidade, como por exemplo com os parceiros do CICAS, Bebeto e Maicknuclear, Michel Silva e Raquel Almeida, do Elo da Corrente, além de uma galera provavelmente mais contemporânea a nós, como Rodrigo Ciríaco, Daniel Minchoni, Carlos Galdino, Cláudio Laureatti, fora nossos heróis de resistência como Sônia Pereira, Pilar, Maurício Marques, Rubens Augusto, os grafiteiros do Imargem, Jerry, Jonato, Vini, Mauro, Tim, e tantas outras pessoas valiosas que não caberiam nestas linhas, mas que não são menos importantes, pelo contrário, todos que em algum momento estiveram aliados conosco são essenciais ao nosso contexto e trajetória.
Pedro Tostes – Para falar a verdade eu não vejo muita mudança na relação da maior parte das pessoas com a poesia não. Existem sim muitos movimentos interessantes de pessoas dispostas a fazer boa poesia e que buscam difundir seu trabalho de uma forma mais ampla, a fim de levar a poesia a mais pessoas. Mas para a maior parte das pessoas a poesia continua sendo uma esfinge, uma linguagem desinteressante. No entanto quando vendíamos nossos livretos na rua, muitas vezes as pessoas se surpreendiam e não acreditavam que “aquilo” podia ser poesia. Tinham gostado. Então muitas vezes a ponte que é preciso fazer é a entre o artista e o público, uma relação imediatizada, que independe da chancela de editores ou críticos.
6-Comenta-se que alguns chamam o sarau de ‘movimento dos sem-palco’. O que pode ser falado sobre isto?
Caco Pontes - É mesmo? De onde será que surgem estes comentários? Porque se for do atual círculo literário, que se considera cânone anacronicamente, nem dou importância, aliás como diz meu parceiro Lucas Moreno, vulgo Xicó, as coisas têm a importância que damos a elas. Costumamos dizer na Poesia Maloqueirista que somos "caras-de-palco!"
Pedro Tostes – Independente de quem faz a crítica, o importante é ressaltar que o sarau é uma forma de expressão e movimentação poética. Essa provocação poderia vir num sentido de que no sarau pessoas que não teriam como se expressar, tem. Para mim, isso é positivo. Como dizia Cairo Trindade, “a praça é do povo, menos o banquinho, o palanque e o microfone” Na expressão e com a oportunidade de conhecer e ler outros poetas, muitos bons poetas afloram. Como em qualquer lugar. No cânone literário tem muita coisa discutível, o que é provado pela própria academia que o define.
7-Não se trata de uma literatura melhor que a produzida pelos acadêmicos, mas também não é menos importante. O que se pode comentar a respeito de frases deste tipo?
Berimba de Jesus – Acho que figuras que vivem a fazer comparações como se fossem os donos da verdade, se esquecem de Lima Barreto, João Antonio, entre tantos outros que foram marginalizados em sua época, mas que hoje estão na academia sendo estudados ao lado de grandes nomes como Homero, Camões... Acho que tem gosto pra tudo e que não é tudo que se pode chamar de literatura ou poesia.
Pedro Tostes – Essa frase demonstra preconceito e desconhecimento. Acadêmico estuda e faz tese. Quem faz poesia e literatura é poeta e escritor. E poeta e escritor pode surgir de diversos lugares, entre eles a academia. Se o que se discute é se essa literatura é tão boa quanto o cânone, não sou santo pra querer ser canonizado. Eu sou escritor, eu quero é ser lido - como já ensinava Drummond.
Caco Pontes - Me parece que sempre existirão comparações, elas enchem o saco, principalmente quando partem daquelas figuras que se valem por cagar referências, mas talvez isto tenha sua necessidade de existir pra estimular certos debates, abrindo as possibilidades de reflexões, horizontes, embora o problema disto é que a tendência na maior parte das vezes cai na punheta mental, polemizações cansativas e falta de soluções práticas.
8-Vocês poderiam relatar esta transformação das pessoas que não tinham contato com a arte e agora (através de saraus) são artistas com livros editados e intérpretes de poesia?
Caco Pontes - Progresso, sem ordem estabelecida, virada do jogo, tomada do cenário, muito bom, digno, merecido, especialmente quando a questão egóica não ultrapassa a simplicidade, espontaneidade, resvalando para o glamour e status, tal qual dos pequenos-burgueses que até então monopolizavam esta produção.
Pedro Tostes – Acho que posso relatar sim essa transformação, e fico feliz de poder ter visto muitas pessoas que mal pensavam que podiam ser poetas hoje serem poetas publicados, atuantes, buscando criar novos espaços, labutando sua obra em todos os sentidos. Acho interessante e vital que as pessoas possam, sem distinção de origem ou de formação, exercer e buscar o seu caminho na poesia e nas artes como um todo. Isso valoriza a pessoa, faz buscar novas coisas para sua vida. Dessa diversidade pode surgir uma criatividade insuspeita, exatamente por não estar presa a padrões pré-determinados do que é ou não poesia.
9-Estão surgindo ou surgiram coletivos/movimentos como a Malocália em outros locais?
Caco Pontes - A cada instante, em todos os cantos do país e do mundo; a questão é: quais irão permanecer pra posteridade...
Pedro Tostes – A posteridade é o menos importante. Mais importante, e condição sinequanon, do que entrar para a história é fazer parte da história. E isso só acontece no dia a dia, vivendo o tempo de hoje. O fato de surgirem coletivos trabalhando com a poesia e outras linguagens de uma forma criativa é sinal de um viço artístico desse momento.
Berimba de Jesus – Há diversas formas de trabalhar com a arte, e artista é como mato, tem em qualquer lugar, então, experiências como a Malocália surgem a todo momento.
10-Qual a contribuição da Malocália/ Maloqueiristas para o estímulo a estas iniciativas culturais?
Pedro Tostes - Acho que a nossa colaboração é toda essa história de militância na rua e agora nos espaços com eventos e saraus. Somos formigas fazendo a nossa pequena parte sem saber muito bem porque. “O piano é um instrumento difícil de carregar, mas sempre tem alguém para carregar o piano”(Felipe Cataldo)
Berimba de Jesus - É muito gratificante ser abordado por gente de todas as idades, classes socias, raças, credos, opções sexuais, dizendo ter se identificado com o que a gente faz, porque está longe de ser unânime o que fazemos, mas o bacana disso tudo é que o lance é bem singular, sem meio termo mesmo, parece que não tem só um "achar legalzinho", saca?
Caco Pontes - Malocália é nossa contribuição milionária de todos os erros e acertos, é assumir referências ao passo que as negamos, os manifestos que já estão na rede virtual apontam estes caminhos; ainda provocaria aqui fazendo uma paródia: Eu satirizo um movimento, desconstruo o carnaval, eu vandalizo um monumento no planalto central do país.
11-Gostariam de fazer considerações finais?
Berimba de Jesus – Faço uma citação a Pietro Aretino: a poesia é o mais poderoso antídoto contra a moléstia das algibeiras e o mais forte apanágio da estupidez.
Pedro Tostes – Acho que no fundo todo esse discurso é uma farsa. A grande verdade é que a gente faz poesia porque acha legal. Porque é divertido. E somos um coletivo e continuamos assim porque somos amigos e conseguimos conviver na medida do possível com os nossos defeitos. O resto é tudo pose.
Caco Pontes - Aos poucos, daqui até 2012, como diria o pessoal do 1/2 dúzia de 3 ou 4 "O fim está próspero", rs. Por enquanto, sugiro que acompanhem as empreitadas de nossa desorganizada-organização, lá: poesiamaloqueirista.blogspot.com
Avant!
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Reitoria Ocupada - Ato simbólico
Dia 17 Junho (Quinta) : Sarau da Cesta na Reitoria Ocupada com COSEAS Ocupada Bloco G - CRUSP - A partir das 21h Ocupa Ocupa Ocupação ! ! ! Aniversário do Sarau da Cesta
Cooperifa, Sarau da Brasa, Elo da Corrente, Sarau da Ademar e todos os outros que apoiam a deselitização da universidade estão convidados, inclusive você. Tire seus poemas da gaveta, seus quadrinhos da prancheta, teatros aos vivos , música aos nossos ouvidos. Proclamemos do mais alto cume, cultura é o que nos une
9 de Junho/2009: 1 ano do confronto na USP, o dia em que a PM invadiu a Cidade Universitária e feriu estudantes, funcionários e professores, e mais do que isso, reabriu feridas de um país, periférico no capitalismo mundial, que busca aprender e ensinar como construir uma sociedade mais justa, mais fraterna, mais igualitária onde a educação não seja tratada como caso de polícia, porém enquanto oportunidade para se pensar e realizar sociedades menos violentas, menos inseguras, menos corruptas. Humildemente caminhemos nesta direção pois a natureza está com estafa do efeito estufa e de muitas outras mazelas humanas, demasiadamente humanas
Violência é a fome causada pelo corte de salário dos trabalhadores, que têm em média os menores rendimentos da universidade, por exercerem constitucionalmente o direito de greve, mas é também, e talvez sobretudo, a negação aos filhos, destas mesmas pessoas, do acesso aos capitais culturais e benesses intelectuais que esta mesma instituição mantém aberradoramente apartados, criando frustração, ódio e humilhação nas cabeças tantas e muitas vezes cansadas das tarefas diárias, entre outras, de limpar os ambientes, cortar grama, conduzir ônibus, servir refeições e zelar pela segurança
E para a permanência dos poucos estudantes de baixa renda em uma das universidades públicas mais elitistas do país tornou-se ponto pacífico que este grupo estatisticamente em menor número dentro do campus aproprie-se de auxílios tais quais alimentação e moradias. Colocar em prática ações extremistas como são as ocupações, dentro e fora do campus, sinaliza que o problema não é só passar no vestibular. Aliás, não concordamos com o vestibular. Seria melhor estatizar as demais universidades e o problema de vagas pode ser repensado, desconstruído e outras conformações poderiam ser propostas, enfim, propostas,propostas, propostas
Direito de greve, direitos humanos e condições necessárias para que estudantes de graduação e pós-graduação oriundos da classe baixa possam ter plenas condições de permanência nesta universidade e, é claro, para além dos muros, não se propaguem preconceitos nem ressentimentos, porém cidadania e arte. Cidadania é arte. É isso.
Cooperifa, Sarau da Brasa, Elo da Corrente, Sarau da Ademar e todos os outros que apoiam a deselitização da universidade estão convidados, inclusive você. Tire seus poemas da gaveta, seus quadrinhos da prancheta, teatros aos vivos , música aos nossos ouvidos. Proclamemos do mais alto cume, cultura é o que nos une
9 de Junho/2009: 1 ano do confronto na USP, o dia em que a PM invadiu a Cidade Universitária e feriu estudantes, funcionários e professores, e mais do que isso, reabriu feridas de um país, periférico no capitalismo mundial, que busca aprender e ensinar como construir uma sociedade mais justa, mais fraterna, mais igualitária onde a educação não seja tratada como caso de polícia, porém enquanto oportunidade para se pensar e realizar sociedades menos violentas, menos inseguras, menos corruptas. Humildemente caminhemos nesta direção pois a natureza está com estafa do efeito estufa e de muitas outras mazelas humanas, demasiadamente humanas
Violência é a fome causada pelo corte de salário dos trabalhadores, que têm em média os menores rendimentos da universidade, por exercerem constitucionalmente o direito de greve, mas é também, e talvez sobretudo, a negação aos filhos, destas mesmas pessoas, do acesso aos capitais culturais e benesses intelectuais que esta mesma instituição mantém aberradoramente apartados, criando frustração, ódio e humilhação nas cabeças tantas e muitas vezes cansadas das tarefas diárias, entre outras, de limpar os ambientes, cortar grama, conduzir ônibus, servir refeições e zelar pela segurança
E para a permanência dos poucos estudantes de baixa renda em uma das universidades públicas mais elitistas do país tornou-se ponto pacífico que este grupo estatisticamente em menor número dentro do campus aproprie-se de auxílios tais quais alimentação e moradias. Colocar em prática ações extremistas como são as ocupações, dentro e fora do campus, sinaliza que o problema não é só passar no vestibular. Aliás, não concordamos com o vestibular. Seria melhor estatizar as demais universidades e o problema de vagas pode ser repensado, desconstruído e outras conformações poderiam ser propostas, enfim, propostas,propostas, propostas
Direito de greve, direitos humanos e condições necessárias para que estudantes de graduação e pós-graduação oriundos da classe baixa possam ter plenas condições de permanência nesta universidade e, é claro, para além dos muros, não se propaguem preconceitos nem ressentimentos, porém cidadania e arte. Cidadania é arte. É isso.
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